domingo, 3 de janeiro de 2016

Os profetas e o artesanato de Congonhas

As doze esculturas dos profetas no adro do santuário de Congonhas, de pedra-sabão, estão colocadas de maneira que se relacionem e cumpram a função de convidar o fiel a subir as escadarias e ouvir a palavra divina da qual são os mensageiros. Suas vestimentas lembram as figuras bíblicas que viveram na longínqua Terra Santa, com turbantes à maneira turca e longos mantos ricamente ornados. As esculturas revelam traços característicos da arte de Aleijadinho: magníficas cabeleiras, olhos oblíquos orientais, além de minuciosos e bem cuidados ornatos das vestes e citações latinas nos filactério (rolos bíblicos). Na parte inferior, logo à entrada, à esquerda de quem sobe, sobre pilastra misulada, fica o profeta Isaias, que anuncia a palavra de Deus, tendo na boca uma brasa ardente. Do lado oposto, Jeremias, também sobre pilastra igualmente trabalhada, com a pena na mão esquerda, simbolizando a escrita profética. Simetricamente, está Ezequiel, com o braço esquerdo levantado e suavemente inclinado, convidando o peregrino a prosseguir no caminho. Do outro lado, Baruc, profeta menor, é o mais jovem de todos. No topo do lance superior da escada, à esquerda de quem sobe, Daniel, considerado a obra-prima de Aleijadinho, inspirado num trabalho do pintor renascentista Rafael de Sanzio, tem como atributo iconográfico o leão com o qual permaneceu em uma cova. Do lado contrário fica Oseias, barba encaracolada, a pena à destra. Mais para a esquerda, no mesmo parapeito, Jonas recebe do céu a divina inspiração que o profeta precisa para a pregação. Tendo ficado no ventre da baleia, o artista coloca o jorro de água sobre as vestes e uma espécie de golfinho a seus pés. Do lado oposto, Joel. No parapeito superior, à esquerda de quem entra, fica Amos. Simetricamente, no extremo oposto, vê-se Naum, velho, sereno. Ainda no parapeito superior, bem fronteiro à igreja, à esquerda de quem entra, está colocado Abdias, que aponta o céu exortando o povo a ouvir as profecias. Do lado oposto, Habacuc também mostra o céu, completando a gestualidade que une a todos os profetas como que orquestrados pelo cinzel do gênio. A construção do santuário começou em meados do século XVIII (1757 – 1778). A fachada da igreja é provida de cunhais, pilastras, cimalha e guarnições de pedra. O frontão tem curvas graciosas guarnecidas de pedra. No interior, sobre o trono, a imagem de Jesus Crucificado e, no altar mor , obra de João Antunes de Carvalho (1769 – 1775) dois anjos tocheiros esculpidos por Francisco Vieira Servas. Os altares laterais têm geralmente consolo em lugar de colunas, na parte superior há anjo esculpidos. Na capela-mor , e por toda a nave , há vários painéis representando cenas bíblicas. Também nos tetos do presbitério e do corpo da igreja há variadas pinturas em perspectiva de artistas como João Nepomuceno Correia Castro (1778 – 1787), retocadas por Manoel da Costa Ataíde.