terça-feira, 24 de maio de 2016

Exposição de J. Borges

A arte de gravar na madeira e perpetuar na memória coletiva a essência do cotidiano nordestino fazem do xilogravurista e cordelista J. Borges um dos mais expressivos artistas populares do Brasil. Em 2016, os seus 80 anos de vida recém-completados ganham uma celebração especial com a exposição ‘J. Borges 80 anos’. A mostra traz uma coletânea de 30 xilogravuras e suas matrizes, sendo 10 inéditas, com temas que retratam a trajetória de vida do artista que foi considerado pelo dramaturgo Ariano Suassuna como o melhor gravador popular do Brasil.

José Francisco Borges, o J. Borges

Natural de Bezerros, no agreste pernambucano – onde vive e trabalha até hoje –, José Francisco Borges, o J. Borges, é Patrimônio Vivo de Pernambuco, título concedido pelo Estado aos mestres da cultura popular pernambucana, reconhecidos como patrimônio imaterial. Nascido em 1935, filho de agricultores, trabalhava desde os dez anos na lida do campo. O gosto pela poesia o fez encontrar nos folhetos de cordel um substituto para os livros escolares. “Eu me criei no sítio e a única informação era dada pelo cordel que meu pai comprava na feira pra gente ler. Era o jornalismo nosso”, revela Borges.

Na década de 70, J. Borges começou a ampliar os horizontes de sua obra, gravando matrizes dissociadas dos cordéis, com grandes dimensões. Foi descoberto por marchands e colecionadores e seu trabalho ganhou imensa visibilidade sendo reconhecido, inclusive, internacionalmente, com exposições em países como França, Espanha, Estados Unidos, Venezuela, Alemanha e Suíça.

Criação

Considerado por Ariano Suassuna como o melhor gravador popular do Brasil, J. Borges desenha direto na madeira, equilibrando cheios e vazios com maestria, sem a produção de esboços, estudos ou rascunhos. O título é o mote para Borges criar o desenho, no qual as narrativas próprias do cordel têm seu espaço na expressiva imagem da gravura. O fundo da matriz é talhado ao redor da figura que recebe aplicação de tinta, tendo como resultado um fundo branco e a imagem impressa em cor. As xilogravuras não apresentam uma preocupação rigorosa com perspectiva ou proporção.

A originalidade, irreverência e personagens imaginários são notáveis nas suas obras. Os temas mais populares em seu repertório são: o cotidiano da vida simples do campo, o cangaço, o amor, os castigos do céu, os mistérios, os milagres, crimes e corrupção, os folguedos populares, a religiosidade, a picardia, enfim todo o rico universo cultural do povo nordestino.





























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